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domingo, 28 de novembro de 2010

Casa da escrita




Está frio em Coimbra. Presumo que o resto do país não esteja melhor.
Acabo de assistir à inauguração da Casa da Escrita, a casa onde João José Cochofel, poeta e ensaísta, conjuntamente com outros autores portugueses, deram forma e conteúdo ao neorrealismo português.
Ouvi várias intervenções, momentos de poesia e pausas musicais, mas a intervenção de Eduardo Lourenço foi notável. É uma honra ter como compatriota uma sonoridade intelectual de tão elevado nível. Ao sair do espaço, nem o frio nem a tristeza dos malditos dias curtos conseguiram arrefecer o calor que transportava na alma.
Adquiri o livro, Breve, uma antologia do poeta. Vale a pena lê-lo. Contem um poema intitulado “Breve”.

Uma casa diferente, uma casa para escrever...
Uma casa em que “O fogo do lar é a escrita”.


Breve,
o botão que foste,
e o pudor de sê-lo.

Breve,
o laço vermelho
dado no cabelo.

Breve,
a flor que abriu
- e o sol mudou.

Breve
tanto sonho findo
que a vida pisou.

5 comentários:

Suzana Toscano disse...

Já fazia falta um pouco de boa poesia no 4r, que bem sabe, caro Massano cardos!

Bruno Ferreira disse...

Belíssimo. Ainda melhor com as imagens da nova Casa da Escrita.

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Cumprimentos

Massano Cardoso disse...

Obrigado pelas fotografias. Tem toda a razão. Escolhi uma, muito mais digna.

Pedro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Massano Cardoso disse...

A casa foi comprada há sete ou oito anos. Nesse tempo havia crise? Devia haver, menos do que agora, com toda a certeza, mas havia, aliás como sempre houve e pelo andar da carruagem sempre haverá, mas pelo menos existe, em Coimbra, o que não é mau de todo. O pior é quando se gasta muito, mal e sem proveito. Veja-se a história do metro de Coimbra. Milhões à rua, e agora? Sem metro e sem comboio no ramal da Lousã! O dinheiro que se gastou com a compra da casa, em 2003, ou em 2002 foram 750.000 euros. Exemplos de iniciativas que custaram dezenas de milhões? É fácil! Basta ir ao Porto ou a Lisboa, e só no âmbito da cultura...
Não é uma pedra no sapato a iniciativa em Coimbra, o pior são os rochedos que nos caiem na cabeça. Esses sim, não incomodam muito, porque matam, e matam “culturalmente”...