Número total de visualizações de página

sexta-feira, 31 de março de 2017

Oh, patego, olha o balão!

A desfaçatez do governo não tem limites. Depois de se vangloriar de ter acabado com a austeridade dos reformados, para muitos e muitos à razão de uns poucos cêntimos por mês, pretende agora fazer justiça a quem possui largos períodos contributivos, permitindo que pessoas com 48 anos de descontos possam reformar-se com 60 anos de idade sem penalização.
Claro que, para tal, seria necessário ter começado a trabalhar aos 12 anos. Mas a parca remuneração desse trabalho infantil, quando a havia, escapava geralmente aos descontos para as, na altura, Caixas de Previdência, por conveniência dos pais, para quem mais uns tostões eram uma bênção e, obviamente, das empresas. Deste modo, muito poucos estarão em condições de beneficiar da governamental magnanimidade.
Mas isso pouco interessa à geringonça. Não pensando sequer em qualquer reforma séria da segurança social, que proteja reformados, os contribuintes actuais e os futuros,vai-se contentando com manipulações e truques, publicitando que faz, sem fazer, a fórmula mais rasteira de embuste e de falta de respeito pelos cidadãos. Enfim, somos tratados como pategos.

5 comentários:

Luis Gonçalves disse...

Hoje, se uma criança de 12 anos é apanhada a ajudar os pais ou a vender jornais, "Há-qui-d'el-rei" que é uma exploração infantil.
Mas aceitam que antigamente fosse normal trabalhar aos 12.
Não se diz é que, por exemplo, se pagava 5 ou 6 escudos para a criança aprender no sapateiro, no ferreiro, no alfaiate.
O normal e justo seria assegurar as pensões de reforma sem penalizações a quem tenha 40 anos de descontos. Até porque não o fazendo, o Estado está a aceitar injustiças:
Futuramente, quem conseguir chegar à conquista da pensão terá trabalhado talvez 35 a 40 anos, porque muita gente começa a trabalhar aos vinte e tal, trinta.

Tiro ao Alvo disse...

Em 1973 a OIT estabelecia os 16 anos como idade mínima para trabalhar, admitindo que, excepcionalmente, para os países pobres se aceitava os 14 anos.
Em Portugal, trabalhar com a idade de 12 anos, era coisa que acontecia há cerca de 60 anos. Por isso, hoje encontrar alguém com mais de 60 anos de idade quem tenha descontado para a SS mais do que 48 anos, deve ser uma impossibilidade, a não ser que esses contribuintes tenham cometido ilegalidades, com a conivência de funcionários da SS.

opjj disse...

Gostava que me apresentassem números de quantos começaram a trabalhar aos 12 anos e os seus empregadores tivessem feito descontos?
Pela experiência que me tocou, será talvez 0%.

Pinho Cardão disse...

Caros Luis Gonçalves, Tiro ao Alvo e opjj:
Parece que a opinião é unânime. Trata-se de mais um embuste da feringonça que, com tal processo que a ninguém, ou quase, se aplicará, permitirá ao governo mostrar mais uma "prova" de que beneficia os reformados, embora os abrangidos constituam um conjunto absolutamente vazio.

Terry Malloy disse...

Afinal, o conjunto não era absolutamente vazio. Tinha uma unidade:

"Ao fim de 48 anos e um mês de carreira contributiva, tendo começado a trabalhar aos 12 anos e a descontar aos 14, o porta-estandarte do sindicalismo no Bloco de Esquerda, António Chora, mítico coordenador da comissão de trabalhadores da AutoEuropa, reformou-se. Foi em janeiro passado, com 62 anos feitos."

Só que a lei "ad hominem" atrasou-se um poucochinho, ou o senhor precipitou-se, e...

"Saiu-me o tiro pela culatra", "digamos que fui um bocadinho iludido." E quem o iludiu foi, segundo disse ao DN, precisamente o ministro Vieira da Silva, que terá feito declarações em outubro de 2016 prometendo que a nova lei, menos penalizadora, entraria em vigor no início deste ano . António Chora esperou portanto por janeiro de 2017.

Só que a lei não mudou e a penalização na reforma lá se fez sentir, cerca de 14%, segundo contou."

Mas não desesperemos, porque a história terá certamente um final feliz:

"Enfim, agora o recém-pensionista espera, quando muito, que a lei a ser aprovada possa ser retroativa para aqueles que entraram na reforma este ano."

Do DN.