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terça-feira, 18 de abril de 2017

Estabilidade do país e estabilidade da geringonça

Para Bruxelas ver, o Plano de Estabilidade aprovado pela geringonça é um power-point excelente: crescimento da economia, graças ao investimento e às exportações, diminuição do Estado, pelo decréscimo dos impostos, da dívida, do défice e da despesa pública. 
Para português ver, o Plano de Estabilidade é coisa bastante diferente, tendo por critério único abarcar tudo o que seja necessário para manter a vida da geringonça. Nos últimos dias, só aumento da despesa: integração de dezenas de milhares de precários, aumento de alunos por turma, aumento do número de professores,etc, etc.
Sendo optimistas, uma perfeita quadratura do círculo. Sendo realistas, mais um fenómeno como o de 2016: um aumento brutal da dívida pública não explicável pelo reduzido défice ou por investimentos que fiquem fora do mesmo. Aliás, um aumento brutal da dívida, cuja justificação não vejo sequer questionar, porventura para não colocar o governo em dificuldades de explicar. 
Longa é a distância entre a estabilidade do país e a da geringonça.

4 comentários:

Rui Fonseca disse...


Caríssimo António,

Segundo me é dado aperceber pelo que leio, a redução da despesa incidiu sobre o fornecimento de serviços e produtos, e presumo que haverá algum mérito nisso.

A redução do investimento público em equipamento não tem colocado em causa, suponho, o regular funcionamento dos serviços. E quanto ao investimento em infraestruturas, as câmaras têm-se encarregado de animar alguns empreiteiros locais. Há agora ciclovias desde norte a sul, em Bragança até instalaram escultura no começo do traçado junto ao longo do Fervença. Em Lisboa, é o que por aí se vê de obras que, são favas contadas, irão garantir a vitória do sr. Fernando Medina em Outubro.

Quanto ao facto de descer o défice e subir a dívida só há uma explicação possível e nenhum milagre: há despesa que vai à dívida mas escapa ao défice: por exemplo, mas um exemplo pesadíssimo, as contribuições dos contribuintes para equilibrar os bancos desequilibrados, que têm sido quase todos.

Quanto à instabilidade da geringonça, parece que é mesmo assim que a coisa funciona: como um borracho que ganha equilíbrio de cada vez que parece que vai entornar-se para um lado, caminha aos ziguezagues e não cai.

SC disse...

Afinal o aumento da dívida líquida em 2016 foi o mais baixo dos últimos anos, em linha, portanto, com o mais baixo défice.
"O que faltará" já faltaria antes. Digo eu!

Divida líquida (mM€)Dif.
Dezembro de 2010 158,736
Dezembro de 2011 170,904 12,17
Dezembro de 2012 187,900 17,00
Dezembro de 2013 196,304 08,40
Dezembro de 2014 208,195 11,89
Dezembro de 2015 218,093 09,90
Dezembro de 2016 223,881 05,79
retirado de dividapublicaportuguesa.blogspot.pt/


Fernando S disse...

Rui Fonseca : " a redução da despesa incidiu sobre o fornecimento de serviços e produtos, e presumo que haverá algum mérito nisso. A redução do investimento público em equipamento não tem colocado em causa, suponho, o regular funcionamento dos serviços. E quanto ao investimento em infraestruturas, as câmaras têm-se encarregado de animar alguns empreiteiros locais"

Muito bem ...
Mas não eram aqueles que constituem e apoiam o governo actualque diziam antes que a redução da despesa do investimento públicos punham em causa o funcionamento dos serviços e o que era preciso era fazer o contrario, isto é, aumentá-los ?!...

Fernando S disse...

SC : "Afinal o aumento da dívida líquida em 2016 foi o mais baixo dos últimos anos"

Os juros do financiamento, que aumentaram, pagam-se sobre a divida bruta e não liquida.

De qualquer modo, não eram os que constituem e apoiam o governo actual que antes criticavam o anterior pelo facto da divida continuar a aumentar e ainda pelo facto dos "cofres [estarem] cheios" em vez desse dinheiro ser gasto para aliviar a austeridade dos portugueses ?!...